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Quando a decoração transforma vidas

Projeto Décor Solidário, que revitaliza instituições beneficentes, celebra a
transformação, não apenas dos espaços que reforma, mas de todas as pessoas envolvidas

O objetivo inicial sempre foi muito claro: mostrar, por meio de um gesto
concreto, que a arquitetura e decoração são muito mais que um luxo. São
verdadeiras ferramentas para a promoção do bem estar e da qualidade de
vida. Com esta ideia na cabeça, Ana Horta e Fernanda Pinho, sócias da Mão
Dupla Comunicação (agência especializada em arquitetura e decoração) e
Fabiana Visacro, designer de interiores, formataram o Décor Solidário.
Decidida qual seria a ação do projeto – reformar uma instituição beneficente
– partiram em busca de parceiros para o desafio que se anunciava.
Rapidamente, um time de arquitetos, designers de interiores, paisagistas e
artistas se formava. Dando suporte a estes profissionais que, desde o início,
doaram seu trabalho, uma outra rede era formada. Fornecedores de móveis,
revestimentos, pedras, plotagem, tinta, plantas e diversos outros itens
empregados numa reforma, passaram a contribuir doando estes materiais.
Paralelo a isso, eventos como leilões de obras de arte e feijoada passaram a
ser realizados dando a possibilidade de pessoas de fora do segmento
poderem contribuir com a causa.
E foi assim, a partir de uma onda contagiante de solidariedade que, em
quatro anos, o projeto Décor Solidário se consolidou e tornou-se uma fonte
de inspiração e motivação para todos aqueles que se envolvem. “Nos
desafiamos a trabalhar nesta situação onde não temos verba, precisamos
correr atrás de doações e reinventar possibilidades. Mas apesar de todas as
situações adversas, nós temos vontade. Enquanto isso, as instituições que
revitalizamos tem necessidades. Esse encontro da vontade com a
necessidade é muito estimulante”, avalia Fabiana, que coordena o projeto.
A cada ano um desafio
Desde sua criação, em 2014, o Décor Solidário já atuou em quatro
instituições, mantendo a ideia inicial de realizar uma reforma por ano. Em
cada lugar por onde passou, o projeto se deparou com realidades e
necessidades muito distintas. E trazer alegria e bem estar para os moradores
e frequentadores de cada espaço sempre foi fator crucial do projeto. “O
Décor Solidário nos amadurece muito como pessoas e profissionais, porque
nos leva a ter um olhar diferente. É um trabalho para pessoas que vivem num
contexto diferente do nosso. Então precisamos nos descolar da nossa
realidade e ir além do bonito, do gostoso, do agradável. Precisamos atender
necessidades reais e daí vem a grande força do projeto”, analisa Fabiana.
No primeiro ano, por exemplo, os profissionais participantes se viram
mergulhados nas vidas das moradoras do Lar de Idosas Santa Teresa e

Santa Teresinha, localizado no Bairro de Santa Tereza. Ao reformarem os
ambientes do lar, os profissionais tiveram sim de lidar com questões práticas,
como atender a demandas de segurança em um ambiente onde vivem
idosas. Mas, mais que isso, foi percebido que, após a reforma muitas das
moradoras se sentiram mais alegres, dispostas e até vaidosas.
A maneira como o ambiente impacta na autoestima, aliás, sempre guiou o
projeto. No ano seguinte, em 2015, a reforma aconteceu no TJ Criança
Abriga, localizado no Bairro Santa Efigênia. Ali o desafio foi criar um alento
para crianças que, por motivos diversos, tiveram de ser afastadas da família
de origem. O brilho nos olhos dos pequenos ao verem os quartos
multicoloridos, a brinquedoteca, a sala de estudos e todos os outros
ambientes reformados especialmente para eles foi a maior conquista daquela
edição.
Em 2016 o desafio era outro. Naquele ano, o projeto abraçou o lar Sempre
Viva, uma instituição que recebe mulheres e crianças vítimas de violência
doméstica. Além da magnitude da obra, só quartos eram doze, o projeto
envolvia uma série de delicadezas como o fato de ser um endereço sigiloso e
com circulação de pessoas controlada e restrita. Nada que impedisse a
execução de um projeto que trouxe bem-estar, autoestima e empoderamento
para aquelas mulheres.
Já em 2017 o desejo de trabalhar com cultura levou o projeto Décor Solidário
ao Alto Vera Cruz, para a revitalização do Centro Cultural Meninas de Sinhá.
O grupo, que promove oficinas, shows, palestras motivacionais, projetos
educativos, resgate de brincadeiras e cantigas de roda e uma série de outras
ações encantou ao Décor Solidário e teve toda a sua sede reformada. “E isso
é só o começo, vejo o Décor Solidário como um projeto que já nasceu com
muita força e tem uma longa caminhada pela frente”, reflete Fabiana.
Transformações internas
No que depender dos profissionais que integram o time Décor Solidário, o
projeto está, realmente, cheio de fôlego e motivação. Letícia Saldanha atua
há seis anos como designer de interiores e, há dois, faz parte do projeto, que
considera como gratificante. “Ver aquilo que mais amo fazer ser realizado em
prol do bem, ver o brilho nos olhos de quem está recebendo o projeto, com
certeza são fatores que me fazem querer continuar nessa jornada e acreditar
que estou no caminho certo”, avalia Letícia, com a concordância de Roberta
Cavina que, também está há seis anos no mercado e há dois no projeto. “O
Décor Solidário é um projeto que eu me identifiquei muito. É muito gratificante
poder ajudar de alguma forma quem precisa, por meio do nosso trabalho. Ver
também nossos parceiros ajudando a realizar os projetos é uma sensação
incrível”, comemora.
Da mesma forma em que Décor Solidário é uma jornada transformadora para
jovens designers como Letícia e Roberta, o impacto do projeto não é
diferente na vida de quem já está no mercado há mais tempo. É o caso de
Fátima Gomes, que há mais de trinta anos atua como designer de interiores e

professora do Inap. “O Décor Solidário veio multiplicar em mim uma vontade
que eu sempre tive de ajudar as pessoas. É muito bom levar alegria por meio
de tudo o que o design pode fazer. Este ano foi o terceiro que participei e foi
a melhor coisa que me aconteceu. É maravilhoso poder deixar algo de bom
para as pessoas, num mundo tão tumultuado”, sintetiza.
Laura Maria Costa, designer de interiores há 32 anos, compartilha da mesma
satisfação das companheiras de projeto. “O Décor Solidário me fez uma
pessoa mais simples, menos complicada. Aprendi a trabalhar melhor em
grupo. Acho que o Décor Solidário faz mais por mim do que eu por ele”,
finaliza.
* Texto originalmente publicado na revista Viva Grande BH

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